Encontro marca encerramento dos trabalhos do Departamento de Supervisão Escolar da Secretaria Municipal de Educação em 2018


A  última reunião  do Departamento de Supervisão Escolar da Secretaria Municipal de Educação realizada nesta quarta-feira (5) reuniu cerca de 120 educadores no auditório do Colégio Estadual Miguel Couto. Na ocasião, ocorreu uma confraternização com apresentação de uma peça teatral do coletivo carioca En La Barca Jornadas Teatrais, inspirada na obra “A Casa e o Mundo Lá Fora: Cartas de Paulo Freire para Nathercinha”, de Nathercia Lacerda.

A peça, dividida em partes que apresentam vida e obra do mais célebre educador brasileiro, Paulo Freire, mestre da Educação reconhecido no Brasil e no mundo. Fotografias, trechos de obras, falas gravadas pelo próprio Freire, entre outros elementos, compuseram a apresentação, que emocionou e inspirou o público.

A coordenadora da Supervisão Escolar, Eloísa Helena de Campos, explicou que o objetivo foi presentear a equipe com a peça, que dialoga com a atual conjuntura social. “Consideramos um estímulo para continuar fazendo um bom trabalho, como também para o momento que estamos vivendo na sociedade. Todos relataram ter gostado muito e se emocionaram, então acho que serve de alimento para quem está conseguindo resistir à dureza desse tempo que temos vivido”, afirmou Eloísa.

Christianne Rotier, supervisora da Escola Evaldo Salles, no Peró, contou que a viviência foi fortalecedora e inspiradora. “Iniciei a caminhada na escola este ano e está sendo uma experiência muito bonita, uma equipe maravilhosa, um trabalho rico e profundo. Hoje foi uma surpresa ter o privilégio de assistir esse espetáculo, foi maravilhoso e muito emocionante. Trouxe lembranças, memórias, e me remeteu à minha infância, quando eu queria ser uma professora”.

Um dos efeitos da apresentação foi provocar a reflexão sobre a educação e reavivar lembranças de propósitos de vida. “Minha trajetória escolar não foi muito feliz, porque a escola que eu sonhava não foi a que eu encontrei, mas eu me tornei educadora para ajudar a construir essa escola, que está dentro de mim. Vivi uma educação repressora, opressora, no período da Ditadura, e sei o quanto aquilo me afetou. Então, sempre busquei trabalhar por uma educação libertadora, que dessa a oportunidade das pessoas serem o que elas são”, revelou Christianne.

A atriz Anna Fernanda Correa Soares observou que, um dos papéis da peça é avivar memórias. O coletivo se inspirou no conceito da historiadora Ecléa Bosi e, através da memória individual de Anathercia e Paulo Freire, trazem a memória coletiva, dialogando o contexto da História do Brasil. “Importante trazermos Paulo Freire nesse momento em que ele está recebendo uma crítica tão injusta e seu trabalho sendo deturpado. Apresentamos uma outra visão, a partir de cartas que ele trocou com a prima nos anos 1960”, explicou a atriz. “O projeto foi pensado para estar em espaços como esse, então o convite da Secretaria de Educação foi um presente”, concluiu.  

O ator Bruno Peixoto Cordeiro acrescentou que a proposta do grupo é documental. “A gente tá na linha do teatro documentário que é radicalmente política, no sentido de ir a fundo no debate político, pensando o teatro como uma assembleia de debates das questões que nós estamos vivendo hoje no Brasil, apresentando em assembleias, sindicatos, igrejas, entre outros locais”.  A peça também será apresentada no II Seminário Interno da Seme, marcado para o dia 15 de dezembro.

Profundidade e afetividade marcaram o encontro da Supervisão. Conversando com o tema, o Departamento fez, também, uma surpresa para os supervisores, que receberam cartas das diretoras/diretores das escolas onde atuam. Ao final das apresentações, as cartas foram entregues aos seus destinatários.

EducaçãoNotícias

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