Semana Teixeira e Sousa de Literatura terá lançamento de livro sobre o Rei do Candomblé

13/03/2018

No próximo dia 23, às 19 horas, acontece na Casa de Cultura José de Dome (Charitas), em Cabo Frio, o lançamento do livro “Gomeia João: a arte de tecer o invisível” (Centro Portal Cultural, Rio de Janeiro), do jornalista e pesquisador Carlos Nobre. A publicação traça a biografia conflituosa de João Alves Torres Filho, o Joãozinho da Gomeia (1914-1971), considerado entre os anos 1940-1970, o Rei do Candomblé do Brasil, e será lançada após dois anos de pesquisa em arquivos e fazendo entrevistas com religiosos do candomblé no Brasil. A ação faz parte da programação da 28ª Semana Teixeira e Sousa.

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O livro, com 224 páginas e 27 capítulos, mostra as razões do sucesso espiritual de um jovem afrodescendente, baiano, que na infância tinha grande mediunidade e acabou se tornando pai de santo no início da década de 1930, em Salvador.

Mais à frente, devido ao seu sucesso na Bahia, Joãozinho da Gomeia, como ficou conhecido, transfere seu terreiro para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, e acaba se tornando sucesso nacional, atraindo gente de toda parte do Brasil, incluindo empresários, políticos, estrelas do show business, diplomatas estrangeiros e até dois ex-presidentes da República.

O autor Carlos Nobre explica o sucesso do pai de santo pelo seu talento nas artes espirituais, e lembra que o método do religioso nunca falhava. No livro ele também mostra que Gomeia João, devido ao seu sucesso, enfrentou uma campanha de descrédito promovido por outros pais de santo, que diziam não ser ele iniciado na tradicional religião de matriz africana, mas sim num candomblé de caboclo, religiosidade mal vista pelos sacerdotes do sistema Jejê-Nagô de Salvador.

Em Caxias, Joãozinho criou laços profundos com a comunidade do entorno do bairro Independência, e em seu enterro, o município praticamente parou para prestar homenagem àquele que tinha sido seu cidadão mais ilustre em todos os tempos.