Cabo Frio terá Conselho Municipal de Combate à Intolerância Religiosa

Criação foi sugerida pelo prefeito José Bonifácio e foi aprovada em reunião com líderes de religiões de matriz africana

Pela primeira vez Cabo Frio terá um Conselho Municipal de Combate à Intolerância Religiosa. A notícia foi anunciada pelo prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio, que se reuniu com líderes e representantes de religiões de matriz africana. O encontro, realizado na última sexta-feira (22) no gabinete do prefeito, colocou em discussão as ocorrências de intolerância religiosa e foi pautada nos depoimentos de cada liderança presente. Após cada colocação, José Bonifácio sugeriu a criação do Conselho Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, ação que foi prontamente aprovada por todos os representantes de terreiros de umbanda e candomblé.

Após ouvir atentamente cada demanda, o prefeito cabo-friense colocou todo o governo à disposição para auxiliar e validar a minuta da Lei que vai regulamentar e criar o Conselho Municipal.

“Receber os representantes de religiões de matriz africana reforça nosso compromisso com a luta pelo fim do racismo, da intolerância e do preconceito em todas as suas formas. É fundamental estarmos atentos, ouvir para que não passemos como omissos ou indiferentes frente a situações como essas. A criação desse Conselho se torna uma ferramenta a mais para esses líderes religiosos. Em um mês vamos enviar à Câmara Municipal a Lei que regulamenta e oficialmente cria essa importante ferramenta, para que possamos dar posse aos conselheiros”, explicou o prefeito.

Coordenador Geral de Igualdade Racial, Manoel Justino também participou da reunião, e destacou que a importância desse Conselho em Cabo Frio.

“É extremamente necessário que possamos criar essa relação institucional entre os terreiros e o governo. Ser recebido pelo prefeito reforça esse entendimento do quão importante é a nossa luta perante a sociedade já que, infelizmente, vivemos em uma realidade onde a discriminação religiosa e o racismo ainda existem. E somente com união para combatermos isso”, revelou.

Para o Babalorixá Marcelo de Logun Edé, o encontro na sede do poder executivo é um marco histórico para a luta e o combate à intolerância religiosa em Cabo Frio.

“O povo de axé de Cabo Frio nunca teve essa oportunidade de receber um convite do poder público, de estarmos dentro do gabinete mostrando propostas e ouvindo também o que o governo tem para nós. Nossos antepassados apanhavam, eram açoitados, e hoje somos centros de cultura. Precisamos ser olhados como povo que traz uma cultura ancestral. Nunca um governo parou para nos escutar e ouvir a nossa história. Agradeço em nome do meu Ilê Asé e de todos os irmãos de fé”, destacou.

Também estiveram presentes no encontro a secretaria adjunta de Direitos Humanos, Heliamar Reis, a ekedji Maria Inês Rangel de Oliveira Mafra, do Ilê Asé Omu Odé Igbo; Kátia Carvalho Gonçalves, da Tenda Espírita Caboclo Nazareth; Marcelo Freire Barboza, do Ilê Omi Asé Ayrá Obijinayé; José Pinheiro da Silva, Babalorixá da Tenda Rocinha de Nanã; Eduardo Gomes Mesquita, da Tenda Espírita Ogum Rompe Mato, a Yalorixá Ana Maria Silva Moreira, do Muzanzo Kayango e Jorge Henrique Nascimento, secretário nacional do PDT/Axé.

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