Nova Moeda Social Itajuru vai beneficiar famílias e movimentar a economia em Cabo Frio

Projeto foi encaminhado para a Câmara de Vereadores e será destinado a famílias de baixa renda

O exemplo bem sucedido de Maricá, onde a criação de uma moeda própria passou a beneficiar famílias de baixa renda e comerciantes, está prestes a se tornar realidade também em Cabo Frio. O prefeito cabo-friense, José Bonifácio, enviou para a Câmara Municipal um Projeto de Lei que visa a criação da Moeda Social Itajuru. O objetivo é de que o projeto tenha início pelo bairro Manoel Corrêa.

Para viabilizar o programa de transferência de renda, equipes da Prefeitura estão cadastrando famílias e pontos comerciais do Manoel Corrêa. Na primeira fase, o objetivo da Prefeitura de Cabo Frio é destinar, por mês, 200 Itajurus, equivalente a R$ 200, para 500 famílias em situação de pobreza. Os valores poderão ser gastos em lojas cadastradas. Até o momento, cerca de 120 pontos comerciais foram inscritos.

Como critério de seleção, as famílias beneficiárias do programa social oferecido pela Prefeitura de Cabo Frio deverão possuir cadastro no CadÚnico do Governo Federal. Após a implementação da Moeda Itajuru no bairro Manoel Corrêa, a Prefeitura pretende expandir o projeto para outras áreas da cidade, com o objetivo de reduzir a desigualdade social e fomentar a economia das comunidades locais.

Programas de renda básica são utilizados em todo o mundo como ferramenta de redução da desigualdade social, e vêm sendo ainda mais necessários durante a pandemia do novo coronavírus.

INSPIRAÇÃO NA MOEDA MUMBUCA, DE MARICÁ

Em Maricá, que fica a cerca de 100 km de Cabo Frio, essa possibilidade já é realidade desde 2013, quando foi criada a Moeda Mumbuca, nome originário do rio que corta diversos bairros da cidade.

“A Moeda Social Mumbuca surgiu com a ideia de criar um programa de transferência de renda aos moldes do Bolsa Família, para diminuir as desigualdades sociais e gerar renda para famílias carentes do município. Junto disso, foi constatada a necessidade de fazer com que esse dinheiro investido permanecesse na cidade. Por isso criamos a moeda, para poder fazer toda a roda da economia da cidade girar, gerando crescimento econômico. Isso permitiu que neste momento de pandemia, por exemplo, Maricá tenha sido a única cidade do Estado do Rio que cresceu em número de empregos formais, de acordo com com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Governo Federal”, explica o vice-prefeito de Maricá, Diego Zeidan.

vice-prefeito de Maricá, Diego Zeidan

Nas ruas de Maricá, é comum ler em placas, adesivos, toldos, banners e letreiros, com a seguinte frase: “Aceitamos Cartão Mumbuca”. Entre os comércios locais cadastrados, tem de tudo um pouco: barbearia, quitanda, restaurante, farmácia, loja de material de construção, papelaria, loja de eletrodomésticos, quiosques de açaí, tapiocaria, venda de panos de prato, e até barraquinha de cachorro-quente.

“No início foi muito difícil convencer a população sobre os benefícios que a moeda traria. Tudo começou com 400 famílias cadastradas e apenas dois comércios que se interessaram pelo projeto. Hoje temos mais de 10 mil comerciantes cadastrados e 43 mil famílias no sistema. Hoje, em Maricá, temos mais comércios aceitando a mumbuca do que cartões de crédito e débito convencionais. Não tenho dúvidas que a Moeda Social Itajuru, que será implementada em Cabo Frio, vai ser um sucesso, porque vai levar para os cidadãos os mesmos benefícios que hoje nossa cidade recebe. Toda essa proteção econômica que Maricá conseguiu neste momento de pandemia foi graças à Mumbuca e ao nosso banco comunitário”, declara o vice-prefeito.

A TRANSFORMAÇÃO DO COMÉRCIO MARICAENSE

Jandira Freire

No quiosque de salgadinhos, doces e biscoitos de Jandira Freire, a mumbuca tem sido essencial para manter o movimento em comparação ao período pré-pandemia. Ela conta que Maricá se transformou desde que surgiu a mumbuca no município.

“A cidade começou a se arrumar depois da criação da Mumbuca, porque somente o Bolsa Família não era suficiente. Aí juntou com a moeda, que é aceita em todo o município, e nos ajudou demais. Até aqui, na minha vendinha, a maioria das pessoas já vêm com o cartão na mão. Fico feliz que em Cabo Frio terá a Moeda Itajuru, que vai ajudar muitas famílias assim como a Mumbuca ajuda todos os cidadãos aqui de Maricá”, contou a vendedora.

Robson Gama

Em uma barbearia que fica em frente à Prefeitura da cidade, o proprietário conta que mais da metade dos seus clientes utilizam a Moeda Social, e festeja a possibilidade de Cabo Frio entrar no rol de cidades que possuem moeda própria e que coexistem em harmonia com o Real.

“Cerca de 60% dos meus clientes utilizam a Moeda Social aqui na barbearia. Assim que abri minha loja, deixei de atender muitos clientes por ainda não ter me cadastrado na Prefeitura para receber a Mumbuca. Depois que entrei, meu faturamento aumentou muito. O dinheiro cai direto na conta do Banco Mumbuca e depois disso posso fazer a transferência para o banco que eu quiser ou utilizar no comércio em geral. É muito mais vantajoso financeiramente utilizar a moeda do que os cartões convencionais. A moeda veio para mudar minha vida e tenho certeza que a Itajuru vai beneficiar os cabo-frienses assim como ajuda os comerciantes e moradores aqui de Maricá”, finalizou o proprietário da barbearia, Robson Gama.

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